• Joici Adriane Cesnik

5 PASSOS PARA CONSTRUIR UMA AGENDA EFICIENTE


A agenda é uma das habilidades mais importantes dentro da estrutura de sessão da terapia cognitivo-comportamental. É o primeiro item da escala de avaliação de habilidades do terapeuta e serve como guia para nortear a sessão. Funciona como base para as etapas subsequentes do tratamento e, se não for estabelecida de forma adequada OUTROS COMPONTENTES DA ESTRUTURA ficarão comprometidos.


1) Avaliação do humor

Essa etapa é fundamental para o paciente compreender e aprender a avaliar o humor. É realizada desde a avaliação inicial, sendo alguns dos instrumentos mais utilizados os Inventários de Beck (BDI, BAI e BHS). Outra maneira de avaliar o humor é perguntar direto para o paciente dentro de uma escala de 0 a 10, sendo 0 “me sinto muito mal” e 10 “me sinto muito bem”, como ele se sentiu na última semana.


2) Ponte com a sessão anterior

O terapeuta pergunta para o paciente o que ele lembra, ou o que foi mais importante para ele na última sessão. Em seguida, reforça os pontos abordados a partir de um breve resumo. É papel do terapeuta investigar se há algo importante relacionado à última sessão que o paciente gostaria de incluir como item de agenda. A revisão do plano de ação (tarefa de casa) é incluída no item de agenda e discutida em sessão. O terapeuta aproveita a oportunidade para avaliar: o que o paciente aprendeu com a tarefa; quais foram as dificuldades ao realizar, e se ele não fez, o que o impediu de fazer. Essas informações comunicam sobre o funcionamento do paciente.


3) Construção colaborativa

O terapeuta encoraja o paciente a participar da escolha dos itens de agenda desde a primeira sessão. No início do tratamento, as pautas são sugeridas pelo terapeuta e, no decorrer do processo, ele vai aumentando a responsabilidade do paciente nessa construção. Existem erros comuns que os terapeutas cometem na construção da agenda:

- Não incentivar o paciente a participar da construção;

- Monopolizar os itens de agenda visando apenas a meta do terapeuta;

- Utilizar apenas perguntas pragmáticas como: "O que você gostaria de colocar na agenda de hoje? Ao invés de ouvir o paciente e a partir da escuta ajudá-lo a priorizar. (ex. Parece que isso foi bem difícil para você, gostaria de explorar esse tema na sessão?)


4) Itens específicos e realistas

Construir uma boa agenda depende de dedicação. O terapeuta ensina o paciente de forma cuidadosa a se preparar para sessão de terapia. Ele muitas vezes o direciona por meio de perguntas para construir um item de agenda específico e realista, por exemplo:

- O que você gostaria de trabalhar hoje?

- Qual a maior dificuldade que você enfrentou durante essa semana?

- Como poderíamos aproveitar a sessão para te ajudar nesse item específico?

- O que especificamente você gostaria de levar da sessão de hoje?

Todos esses questionamentos podem contribuir para engajar o paciente no processo terapêutico e reforçar a autonomia.


5) Estabelecer prioridade

A sessão de terapia tem duração de 50 minutos, portanto, há um limite para o número de itens que podem ser abordados em um encontro. Quando o paciente traz 4 ou 5 itens, é necessário ajudá-lo a priorizar: Qual item não pode ficar de fora dessa sessão? Se você pudesse dar uma nota de 0 a 10 (0 = pouco importante e 10 = muito importante), que nota você daria para cada um dos itens? Às vezes é indispensável estabelecer de maneira colaborativa um tempo para cada item de agenda e negociar com o paciente caso algum dos itens tome mais tempo.


Em resumo, o terapeuta em colaboração com o paciente estabelece itens que contemplem dificuldades específicas, que sejam adequados para o tempo de sessão e com prioridades bem definidas.


Joici Adriane Cesnik - Psicóloga Clínica

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental

CRP -18/0049

Cuiabá -MT

Insta: @psijoicicesnik

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