• Ana Teresa Chereguini

DESAFIOS NA MODIFICAÇÃO DE PENSAMENTOS




O processo de flexibilização de pensamento é uma etapa primordial na reestruturação cognitiva. Logo nas primeiras sessões terapeuta e paciente de forma colaborativa, começam a identificar pensamentos automáticos disfuncionais (PAD) e uma vez identificados, o próximo passo é a modificação desses. O papel do terapeuta é guiar o paciente rumo e essa mudança cognitiva e para que essa transformação aconteça é necessário conhecimento e prática da Terapia Cognitivo-Comportamental.


O seguinte texto tem o objetivo de clarear os principais desafios que os terapeutas, enfrentam ao ajudar os pacientes na modificação de seus PADs e compartilhar formas de lidar com esses obstáculos.


Identificação de pensamentos quentes


Durante o processo de flexibilização cognitiva, o primeiro passo para a modificação de pensamentos, é a descoberta dos chamados “pensamentos quentes”, ou seja, os pensamentos que realmente são relevantes para o processo modificação de PADs. Identificar esses pensamentos pode ser um verdadeiro desafio, pois exige que os terapeutas selecionem essas cognições principais dentre as muitas que o paciente pode trazer. Segundo Beck, devemos selecionar os seguintes pensamentos: que estejam associados ao problema; sejam típicos do paciente; sejam realmente distorcidos ou disfuncionais; sejam reflexos de uma importante crença central e estejam relacionados a um afeto negativo significativo (Beck, 2013 apud 1995). Se o terapeuta cometer o equívoco de selecionar um pensamento pouco relevante, o processo de modificação não irá surtir o efeito esperado e criará um problema nessa fase do tratamento.


O próximo passo para a modificação cognitiva é utilizar instrumentos de avaliação de PADs. Através do questionamento socrático o terapeuta pode aplicar uma gama de técnicas para flexibilização de pensamentos como o famoso exame de evidências, usar a lista de distorções cognitivas, trabalhar com geração de alternativas racionais, descatastofização, reatribuição, entre outras. Ao aplicar essas técnicas alguns problemas podem surgir:


- O paciente não acredita que seus pensamentos são distorcidos

Isso pode ocorrer por falta de habilidade do terapeuta ao fazer a avaliação do pensamento. Neste caso, psicoeducar sobre distorções cognitivas (DCs), e pedir para o paciente treinar a identificação DCs em momentos distintos da sessão pode facilitar esse processo. Outra dica é investigar com paciente pensamentos passados que ele teve e não se concretizaram (previsões catastróficas distorcidas, por exemplo). O paciente também pode ter dificuldade em identificar esses pensamentos como distorções, pois eles são muito fortes e próximos a uma crença. Diante disso, ensinar o paciente sobre sua crença pode ser muito útil, além de clarificar que é normal acredita de forma tão rígida PADs devido ao seu estado de afeto no momento.


- O paciente apresenta dificuldade em modificar os pensamentos entre as sessões

Um dos motivos mais comuns é que o paciente pode ficar com um nível emocional muito elevado, prejudicando assim seu raciocínio. Nesse caso, é de suma importância investir primeiro em estratégias de regulação emocional. Algumas técnicas como relaxamento muscular, respiração diafragmática e distração podem ajudar nesse caso.


- Uso de técnicas não adequadas por parte do terapeuta

Outra dificuldade é a escolha e o uso de técnicas que não são adequadas para aquele momento do processo. O terapeuta deve ter cuidado ao selecionar as técnicas e de preferência aplicá-las de forma gradual. Um registro de pensamentos com todas as suas etapas, pode ser uma técnica extremamente complexa e aplicá-la de forma direta, e sem treino, pode comprometer e atrasar o processo. O objetivo é aumenta a capacidade de engajamento e aprendizado do paciente durante o processo.


- A alta expectativa do paciente sobre o resultado da avaliação dos PADs

Pacientes com altas expectativas tem a tendência de minimizar seus registros, pois acreditam que deveriam eliminar completamente suas emoções negativas. Nesse caso, o terapeuta precisa orienta-lo que o processo que diminuir a credibilidade do pensamento e a intensidade da emoção negativa é gradual, sendo assim, alguns PADs serão avaliados mais de uma vez.


Através dos exemplos acima, dentre tantos outros que podem aparecer, podemos perceber que ajudar o paciente a modificar seus pensamentos não é tarefa fácil, pelo contrário, pode se tornar um grande desafio. Reconhecer esses obstáculos em cada caso é necessário para o bom andamento do processo. Além das dicas acima, é de suma importância que o terapeuta desenvolva as formulações de caso, pois somente por meio da compreensão do funcionamento do paciente é que o clínico consegue planejar e intervir de forma efetiva ao longo do tratamento.


Instagram @conecta_saber

Por Ana Teresa Chereguini Guersola

CRP: 06/81432

- Sócia cofundadora do Projeto Conecta Saber, de produção de conteúdo digital em Terapias Cognitivo-Comportamentais.

- Psicóloga graduada pela Universidade de Franca (UNIFRAN).

- Especialista e Proficiente em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Centro de Terapia Cognitiva Veda (CTC VEDA).

- Formação em Terapia Comportamental Dialética, pelo Instituto Behavioral Tech (Linehan Institute Training Company).

- Treinamento “Teaching and Supervising Cognitive Behavioral Therapy”, com Donna M Sudak pelo Beck Institute.

- Supervisora e Psicóloga Clínica em Terapia Cognitivo- comportamental e Terapia Cognitivo - Comportamental de Terceira Geração.


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