• Fabrícia Vieira Santos Naves

PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS NEGATIVOS: 3 formas de avaliá-los.

Atualizado: Jul 10


Os pensamentos automáticos negativos são interpretações instantâneas e rápidas que fazemos das situações que acontecem a nossa volta. Eles ocorrem de forma deliberada, ou seja, não escolhemos pensar dessa forma, eles simplesmente vêm em nossa mente, sem que tenhamos controle disso. Esses pensamentos são derivados das crenças negativas e disfuncionais que adquirimos ao longo da nossa vida. A cognição ou o pensamento é mediador da associação entre as experiências na vida, reações emocionais e comportamentais


Modelo Cognitivo proposto por Beck


Nem tudo o que passa na nossa cabeça corresponde de forma fidedigna à realidade. Diante de um mesmo evento pessoas diferentes podem interpretá-lo de modo individual. Vamos imaginar a seguinte situação: Você e dois amigos estão andando em um shopping quando passa um conhecido e não os cumprimenta. O primeiro pensamento que te ocorre: 1)Será que fizemos algo de errado que o deixou chateado ?” - emoção: ansiedade - comportamento: Começa a imaginar o que poderiam ter feito de errado. 2) Um dos amigos teve um pensamento diferente: “Que absurdo, não acredito que ele teve a audácia de passar por nós e não nos cumprimentar de propósito” - emoção: raiva - comportamento: verbaliza a sua indignação. 3) Por outro lado, o outro colega faz a seguinte interpretação: “Acho que ele não nos viu” - emoção: inalterada - comportamento: continua a caminhar pelo shopping tranquilamente.


A partir desses exemplos é possível notar que cada uma das pessoas teve interpretações, emoções e reações comportamentais distintas diante da mesma situação. Os pensamentos automáticos negativos podem descrever a realidade coerente ou distorcê-las. Por isso, é necessário ensinar o paciente a identificar os pensamentos e avaliá-los.


Por que avaliar os pensamentos automáticos negativos?


Quando avaliamos a forma como interpretamos a realidade, temos a possibilidade de mudar as nossas reações emocionais e comportamentais frente às situações, proporcionando a regulação emocional e o envolvimento em comportamentos mais adaptativos e saudáveis.

Além disso, o uso regular da identificação e avaliação dos pensamentos automáticos negativos promove a flexibilidade cognitiva. É papel do terapeuta ensinar o paciente a habilidade de focar no momento presente, independente do pensamento automático que está passando na sua mente. Pensamentos automáticos negativos não são perigosos, são apenas pensamentos.


E então, quais as diferentes formas do terapeuta avaliar pensamento automático negativo?


A Terapia Cognitiva-Comportamental possui diversas técnicas que propiciam a avaliação dos pensamentos automáticos.

Primeiro, é importante treinar com o paciente a identificação dos pensamentos automáticos negativos. Uma das maneiras é encorajá-lo a prestar atenção na mudança de humor e diante dela se perguntar: “O que estava passando ou o que passou na minha cabeça naquela situação? ou “De que forma eu interpretei, julguei, percebi ou previ aquele evento?” No exemplo citado no início do texto, os pensamentos automáticos foram: “Será que fizemos algo de errado que o deixou chateado pra não nos cumprimentar?” “Que absurdo, não acredito que ele teve a audácia de passar por nós e não nos cumprimentar de propósito”.

Existem maneiras diferentes de avaliar os pensamentos automáticos:


1) Questionar apenas as evidências:

  • Quais evidencias eu tenho que apoiam o meu pensamento?

  • Quais evidências eu tenho que não apoiam o meu pensamento?

  • De acordo com as evidências qual é o meu novo pensamento?


Você pode construir um cartão de enfrentamento com o pensamento alternativo e orientar o paciente a ler sempre que o pensamento automático negativo surgir na mente.


2) Reatribuição: É uma técnica que visa considerar as diversas explicações do Por que um evento ocorreu, em vez de focar exclusivamente (e incorretamente) na ideia de que há algo de errado com você ou no que você fez:

  • Investigar: Existem outras explicações para essa infeliz situação? Se sim, quais são elas?

  • Desenhar um gráfico em forma de pizza que possibilite a atribuição de várias explicações para a adversidade. Encorajar o paciente a atribuir a cada fatia da pizza valores (0 – 100) e classificar os fatores que podem ter colaborado para a ocorrência do evento. A somatória de todas as fatias deve corresponder a 100%.


3) Para pensamentos catastróficos ou pensamentos relacionados ao futuro, onde há dificuldade para tolerar a incerteza, invista no diálogo socrático:


  • Qual o pior resultado que poderia obter nessa situação?

  • Como poderia proceder caso o pior resultado ocorra?

  • Quais pessoas poderiam ajudar a lidar com essa adversidade?

  • O que poderia utilizar para ajudar a superar?

  • Você já passou por situações semelhantes no passado? Como você enfrentou?

  • Quais recursos internos e externos você utilizou que foram úteis?

  • Conhece pessoas que já vivenciaram essa adversidade? Como elas lidaram com isso?

  • O que você diria a um amigo que estivesse na mesma situação?

  • Quantas vezes você passou por uma situação que inicialmente considerou catastrófica? Quantas vezes ocorreu de fato uma catástrofe?


FABRÍCIA VIEIRA SANTOS NAVES

Psicóloga Clínica (CRP 04/35148)

Graduação em Psicologia - Universidade Federal De Uberlândia (UFU)

Especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental - Instituto de Terapia Cognitiva (ITC – SP)

Formação em Terapia do Esquema - Wainer Psicologia, International Society of Schema Therapy (ISST) e New Jersey / New York Institute of Schema Therapy - USA.


Contato:

Clínica Med Square

Rua Rafael Marino Neto, 222. Bairro: Jardim Karaíba. Uberlândia - MG

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fabrivsantos@hotmail.com


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